quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Marconi: trabalho em favor do Brasil!

Diário da Manhã

Fio Direto

Tony Carlo

Anzol

Senador Marconi Perillo twittou ontem: "Acabo de apresentar requerimento à CCJ convidando o presidente do TCU e o procurador-geral da República para debate sobre as denúncias de irregularidades na Ferrovia Norte-Sul".

Marconi: alerta sobre apagão!



Diário da Manhã

Café da Manhã

Ulisses Aesse

A foto do fato

Marconi alertou governo sobre apagão

O senador tucano Marconi Perillo (foto) não poupa. De acordo com ele, a falta de planejamento federal e de novos investimentos poderão atrasar o País, sem energia para atender às novas demandas. E é o próprio parlamentar quem afirma:

— Há dois anos e meio, quando presidente da Comissão de Infraestrutura, ao realizar uma audiência pública no plenário do Senado com os principais ministros do governo (Fazenda, Planejamento, Minas e Energia e Casa Civil), fiz um alerta grave sobre o problema. De lá pra cá, falei várias vezes sobre o assunto.

Marconi lembra que, infelizmente, o governo se considera muito autossuficiente. E não deu ouvidos.

— Agora, estamos todos com um problemão nas mãos: não se trata de ameaça. Já existem evidências de apagão.

Marconi: antenado!

Diário da Manhã

Marconi é digital, Iris é analógico

O artigo “Muito Além do Virtual”, que dona Iris assinou no Diário da Manhã esta semana, só confirma que no PMDB ainda tem dinossauros que ignoram as inovações da tecnologia da informação. A verdade é que, enquanto o Marconi Perillo é digital, Iris Rezende é analógico. Um usa o moderno Twitter com 140 caracteres para se comunicar e o outro faz arcaicos discursos de Fidel Castro nos palaques dos mutirões (aliás, também coisa do passado).

A deputada Iris de Araújo tenta justificar o anacronismo do prefeito Iris Rezende, que ignora a internet e não acessa nem sequer e-mails na rede. O fato é que Goiânia perde muito por ter um prefeito que desconhece as redes sociais e enxerga o mundo como se a informação ainda andasse a cavalo.

Está provado que a presença do senador Marconi Perillo no Twitter incomodou muito o prefeito Iris Rezende e a deputada Iris de Araújo. Em vez de contestar as ferramentas virtuais, como dona Iris fez no artigo que o DM publicou ontem, sugiro que o distinto casal se matricule num desses cursinhos de informática que existem às centenas em Goiânia e deem um providencial upgrade de modernidade. O prefeito Iris Rezende vive na idade da pedra e chama o Twitter de “artifício da imprensa”. No meu entendimento, Marconi Perillo saiu na frente ao se tornar tuiteiro e se comunicar com os milhões de pessoas que estão na maior rede social da internet do planeta. Iris nunca ligou um computador e é um político com sérios problemas para dialogar com a juventude.

Os fatos ocorridos em Goiás nos últimos dias, com a enxurrada de políticos aproveitando-se das ferramentas da internet para levar seu recado ao eleitor, estão indicando uma revolução no processo eleitoral que se avizinha (2010). Hoje, entre outros, Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, Thiago Peixoto, Honor Cruvinel, Fábio Souza, Daniel Vilela, Demóstenes Torres, Túlio Isac, Daniel Goulart e tantos mais já se enfileiram entre os parlamentares que prestam contas aos seus eleitores via rede mundial de computadores. Em termos nacionais, temos o governador de São Paulo, José Serra, que, apesar de comandar o Estado mais desenvolvido do País, sempre encontra um tempinho para falar pelo Twitter, com tiradas inteligentes e interessantes.

Espero, sinceramente, ver o prefeito Iris Rezende na internet o mais breve possível, como membro ativo das redes sociais.

Luiz Faleiro é administrador, MBA em Marketing pela Uni-Anhanguera e gestor municipal

Marconi: líder também no twitter!

Diário da Manhã

Marconi é o mais influente do Twitter em Goiás
Ranking do Alyser lista os dez mais prestigiados na rede social da internet. Recordista mundial é norte-americano

OTwitter do senador Marconi Perillo (@marconiperillo) é o que detém, com larga margem, o maior poder de influência entre todos os usuários da grande rede social em Goiás, conforme compilação feita pelo Diário da Manhã com o TwitterAlyser, a mais completa ferramenta de avaliação sobre a utilização do Twitter no mundo. Para se ter uma ideia do rigoroso critério de avaliação do Alyser, que compara dados de maneira semelhante ao Google Analytics, a escala, que vai até 100, jamais foi atingida por nenhum usuário do microblog. Marconi soma 18,1. O recordista mundial, um americano, chega a 86,3. Há somente 10 tuiteiros brasileiros no top 100 desse ranking de influência. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que soma 2 milhões e meio de seguidores, é somente o 62º colocado no ranking do Alyser.

Entre os cinco Twitters mais influentes de Goiás, apenas Marconi é político. O segundo colocado é o diretor de criação da Cannes Publicidade Nelson Moraes, dono do perfil @aomirante, com 11,2, seguido pelos jornalistas Afonso Lopes, @a_fonso, e Carlos Willian, @revistabula, com 9,5 e 9,2 respectivamente, e o jovem @alexandrescott, com 8,6. Esses números referem-se aos posicionamentos consolidados no início da noite de terça-feira, 10. Como a avaliação é online, as posições podem sofrer pequenas variações momentâneas, com maior persistência na linha de tempo – avaliação realizada em período mais abrangente.

Seguidores

Uma das principais febres do Twitter é somar o maior número de seguidores. Para o Alyser, esse é um dado relevante, mas que não estabelece o poder de influência. Nas notas explicativas sobre os critérios do método empregado pelo Alyser, informa-se que o número de seguidores não é determinante porque é possível, com scripts dispostos gratuitamente na própria internet, somar seguidores aleatoriamente, de maneira a inflar o que seria uma possível audiência no microblog. O Alyser diz que seu sistema consegue evitar a maioria desse tipo de ação, e a avaliação é diária levando-se em conta sempre o período dos últimos sete dias, o que resulta em diferença nos números em poucas horas. Entre os cinco mais influentes tuiteiros de Goiás, conforme o Alyser, o terceiro colocado, o jornalista Afonso Lopes, é o que tem menos seguidores (463 na noite de terça-feira, 10), mas seu perfil soma em todos os demais critérios de avaliação, o que o faz superar, em influência, quase todos os demais usuários do Twitter. No caso de Marconi Perillo, porém, existe a coincidência. Dos integrantes do Top 5 da influência conforme o Alyser, é o senador que tem o maior número de seguidores, acima de 3 mil usuários. Além desse fato, Marconi equilibra muito bem todos os demais critérios de avaliação (leia quadro explicativo).

Rivais

No mundo dos políticos tuiteiros de Goiás, Marconi não tem rivais à altura. O segundo colocado, conforme o Alyser, é o senador Demóstenes Torres, @demostenes_go, com mais de 4 mil seguidores, mas com índice de somente 5,3, contra os mais de 18 pontos do senador tucano. O terceiro colocado entre os políticos aparece o presidente do PPS goiano, o professor Gilvane Felipe, @gilfelipe, com 6,1, seguido pelo deputado estadual Thiago Peixoto, @ThiagoPeixoto, com 4,7. O deputado federal Ronaldo Caiado, @deputadocaiado, que detém a terceira maior audiência de seguidores entre os tuiteiros políticos goianos, aparece logo atrás, com somente 3 pontos de influência no Alyser.

Marconi Perillo também lidera o ranking de Goiás quando se avalia os critérios de todos os instrumentos de medição do Twitter. Nesse caso, levando-se em conta os critérios do Alyser além do TwitterRank (que utiliza critério semelhante ao PageRank, também desenvolvido pelo Google), TwitterGrader e TwitterCounter, Marconi soma 32 pontos em uma escala que vai até 50. Na segunda posição aparecem empatados os jornalistas Afonso Lopes e Carlos Willian, com 30 pontos, seguidos por Nelson Moraes, com 28, a jornalista Helen Fernanda (@helenfernanda), 24, Ronaldo Caiado, 20, Demóstenes Torres, 18, Fabrício Nobre (@fabricio_nobre) e Gilvane Felipe, 16, e a jornalista Fabiana Pulcineli (@fpulcineli), com 14 pontos.

Critérios do Alyser

Para estabelecer os parâmetros de medição do poder de influência de cada usuário do Twitter, o Alyser se baseou em cinco quesitos, cada um deles desdobrando-se em um número variável de análises correspondentes: Alcance (determinado com base no número de seguidores), Autoridade (baseado no número de vezes que o usuário é “retuitado” – tem a mensagem repetida por outros usuários), Generosidade (número relativo de vezes que o usuário analisado retuíta os demais – repete a mensagem de outros usuários), Peso relativo (que é o número de vezes que outros usuários fazem referência ao analisado) e Velocidade, que são as atualizações postadas na rede.

A combinação desses critérios é que diminui a possibilidade de “fraudar” o sistema de ranqueamento com base no número de seguidores inflados por scripts. Nesse caso, um usuário que consegue 10 mil seguidores por scripts e apenas 100 reais, terá sempre, por exemplo, muitas dificuldades para ter suas mensagens retuitadas ou retuitar mensagens de outros usuários (no caso, praticamente fictícios).

O sistema total do Alyser leva em conta critérios usados pelo Pagerank, criado pelo Google e que mede a audiência de sites na internet. No Twitter, a avaliação vai desde a página do usuário (perfil) até o número de vezes em que o nome do tuiteiro é pesquisado dentro da rede (find people).
Diário da Manhã

Pane agora afetou mais Estados do que em 1999

O apagão de terça-feira afetou um número maior de Estados do que o último grande incidente do setor, em 1999, quando dez deles ficaram mais de quatro horas sem luz. Desta vez, por conta de maior interligação entre as regiões brasileiras, a queda de linhas de transmissão que transportam energia de Itaipu afetou 18 Estados, alguns apenas parcialmente. Mas, segundo especialistas, o sistema mostrou mais agilidade para o restabelecimento da energia.

Os dois apagões tiveram início pouco depois das 22 horas. Em 1999, o governo também alegou que a interrupção foi provocada pela queda de um raio, desta vez sobre subestação de Furnas em Bauru. Naquela ocasião, o suprimento foi cortado em 22 mil megawatts (MW) médios. Agora, 28 mil MW médios caíram. O número de consumidores afetados, no entanto, foi menor agora - cerca de 40% da rede, ante 70% em 1999.

"O apagão de agora foi mais amplo porque o sistema está mais interligado. Mas mostrou que está também mais ágil para restabelecer o fornecimento", comentou o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ e presidente da Eletrobrás no primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva. De fato, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia começou a ser restabelecida por volta das 22h30, pela região Sul. Às 0h45, a energia começava a chegar a Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O incidente desta semana chegou a Estados como Rondônia e Acre, além de regiões do Nordeste, que ficaram a salvo do blecaute de 1999. Isso porque hoje há mais linhas de transmissão ligando o Sudeste a essas regiões, resultado de investimentos na ampliação da rede brasileira nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que permitem maior intercâmbio de energia, as novas linhas tornam Norte e Nordeste mais vulneráveis a problemas no Sul e Sudeste.

A vulnerabilidade, por sinal, é apontada por especialistas como um sinal de que as lições de apagões anteriores não foram devidamente aprendidas. Em 2002, após o apagão que novamente deixou dez Estados sem luz, as autoridades do setor elétrico anunciaram um grande programa de investimentos em sistemas de "ilhamento" da rede, que impediriam o efeito dominó observado anteontem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agencia Estado - AE

A noite que o Brasil apagou

Governo federal afirma que chuva forte causou apagão que atingiu mais de 70 milhões de brasileiros em 18 Estados l Além da falta de energia elétrica, paulistas, capixabas e cariocas sofreram com interrupção do fornecimento de água

O governo federal acredita que a concentração de raios, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, no interior de São Paulo, causou o apagão que deixou às escuras, por quatro horas, mais da metade do País, na noite de anteontem. Ao todo, 18 Estados e 70 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica. O mau tempo teria provocado um curto-circuito que levou à queda nas linhas de transmissão de energia da Hidrelétrica de Itaipu, em um efeito dominó, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O anúncio foi feito após mais de 20 horas de informações contraditórias do governo, que chegaram a irritar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e fizeram a oposição convocar Lobão, além da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff – tratada como virtual candidata petista à presidência –, para prestar esclarecimentos no Congresso.

O diretor-geral da Usina Hidrelétrica de Itaipu, Jorge Samek, disse que foi a “Lei de Murphy”. Dos 1 mil quilômetros de rede, em apenas seis quilômetros, as cinco linhas de transmissão andam juntas. “E foi bem nesse trecho que caiu o raio.” Ele acredita que a solução para evitar que o apagão se repita é depender menos de Itaipu. Especialistas ouvidos pelo Grupo Estado também apontaram a “fragilidade” do sistema interligado.

De acordo com Luiz Eduardo Barata, diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), apesar da extensão do apagão, os sistemas de proteção funcionaram adequadamente, impedindo que o defeito se propagasse pelo sistema, o que poderia causar danos maiores. “O grande prejuízo que se teve foi a interrupção no suprimento de energia para o consumidor, mas do ponto de vista de prejuízos materiais não existe nada, porque houve proteção devida e correta dos circuitos”, disse.

Oficialmente, o ONS, órgão que administra a rede nacional de energia, disse que “uma perturbação de grande porte” teria provocado a interrupção parcial do suprimento de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste equivalente a 28.800 megawatts médios (MW) ou mais de 40% da demanda de energia do País, que é de 55 mil MW médios – o megawatt médio é a unidade de medição da energia consumida. O blecaute que ocorreu em 1999 durou quatro horas e resultou numa queda de cerca de 70% da energia. Em 2002, a queda foi de 60%.

ÁGUA

O apagão que atingiu o País e parte do Paraguai afetou também o abastecimento de água, a telefonia celular e o atendimento em delegacias. Após o blecaute, 6,7 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e 1 milhão no Rio ficaram sem água. No Espírito Santo, 575 mil pessoas ficaram sem água. No momento do apagão, todos os sistemas de abastecimento e tratamento de água foram desligados. A maioria foi religada na madrugada. A previsão é que o fornecimento seja normalizado hoje cedo.

Consumidores que tiveram aparelhos eletrônicos queimados podem buscar ressarcimento dos prejuízos com a empresa distribuidora de energia da sua região. Resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 2004, trata especificamente desses casos. Por isso, os órgãos de defesa orientam os consumidores a tentar obter a reparação diretamente com as empresas concessionárias.

Problema de gestão” provoca blecaute

Primeiro diretor de Gás e Energia da Petrobras do governo Lula, cargo que ocupou por quatro anos, Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, deixou o cargo em meio a discordâncias na condução da política energética do governo. Ele vê com ceticismo a probabilidade de o apagão ter sido causado por uma tempestade e credita o transtorno a um “problema de gestão”. “Ou as reformas feitas (no sistema elétrico brasileiro) em 2003 e 2004 foram inadequadas ou insuficientes.”

Agência Estado - É provável que o apagão tenha sido provocado por tempestade?

Ildo Sauer - O tal raio de Bauru (a causa oficial para o apagão de 1999, que atingiu 10 Estados), que deu o “Prêmio Pinóquio” aos ministros da ocasião e diretores da Aneel e do ONS, agora talvez vire o “Prêmio Rolando Lero”, porque estão nos enrolando. O que causa perplexidade é que, tanto tempo depois, ainda não se tenha clareza do que aconteceu. Tipicamente eventos que podem ser causadores de uma catástrofe dessa monta, quando não devidamente tratados, são de cinco categorias distintas. A primeira categoria é formada por eventos intrínsecos ao próprio sistema, tipo um curto-circuito, um desligamento não programado devido à proteção do sistema, quando algum parâmetro de temperatura ou algo do tipo foi atingido e ele desliga sozinho, ou quando alguém, em manobra acidental, provoca o desligamento dos sistemas. Você pode ter a perda de um equipamento importante, uma usina, uma subestação ou outra coisa do gênero, por eventos intrínsecos ao próprio sistema.

AE - E as outras causas?

Ildo - As outras quatro categorias são externas: eventos de força maior,como terremoto e furacão; atos de vandalismo ou terrorismo; tecnologia da informação, com hackers entrando no sistema operativo e mudando o software, fazendo manobras ou operações indevidas; ou acidentes graves com choques de veículos, aviões, helicópteros.

AE - O que parece mais evidente?

Ildo - Teria que ver o que o governo vai fazer primeiro. O que posso dizer agora é que, nitidamente, estamos diante de um problema de gestão do sistema. É a única conclusão a que chego. Porque se um evento desses acontece, pelo critério de confiabilidade, se precisaria desligar aquele equipamento ou sistema e o restante conti-nuaria operando. A perda de um equipamento ou elemento importante não pode prejudicar o sistema como um todo. Nesse momento temos investimentos suficientes em geração e transmissão, aparentemente.

AE - Se há investimentos, o que justifica a fragilidade?

Ildo - Isso é que é mais surpreendente: os investimentos aparentemente foram feitos e o sistema não funciona. Isso indica problemas de gestão. Se temos os recursos físicos operacionais disponíveis e eles não estão dando resposta, é um problema de gestão e organização do sistema a nível de responsabilidades, é o pessoal batendo cabeça, botando a culpa um no outro, como aconteceu ontem (terça-feira).

AE - Como assim, problema de gestão?

Ildo - Tipicamente estamos hoje diante de algo que só pode ser circunscrito a duas esferas. Uma é o nível de organização do sistema energético, o que indicaria dizer que as reformas feitas em 2003 e 2004 ou foram inadequadas ou insuficientes, porque mesmo com investimentos e capacidade de sobra, o sistema não está operando adequadamente. A segunda é que, quando um evento desse tipo acontece, não se sabe dizer qual foi a causa e se demora tanto para fazer o diagnóstico, o que também é um problema de gestão e organização.

16 cidades goianas são atingidas

A Companhia Energética de Goiás (Celg) não descobriu o que motivou o blecaute em 16 cidades goianas na noite de terça-feira (10), que ocorreu entre o período das 20 às 22 horas. O apagão, que teve efeito dominó, começou na Usina de Itaipu no Paraná e atingiu 18 Estados Brasileiros. A causa da falha ainda não foi esclarecida e está em processo de apuração por parte do Operador Nacional do Sistema (ONS).

As regiões do Centro e Sul do Estado de Goiás foram as mais afetadas. Treze municípios ficaram completamente no escuro, como Itaberaí, Corumbá, Cocalzinho, Pirenópolis, Goiás, Santa Helena, Itapuranga, Piranhas, Itaguari, Arenópolis. As regiões rurais de Alexânia, Itaguaru e Bom Jardim também ficaram às escuras. Apenas parte das cidades de Anápolis, Inhumas e Corumbá permaneceram sem energia.

Volta

O tempo máximo de recuperação da energia foi de três minutos na maioria dos municípios, porque um esquema de proteção do sistema interligado, denominado Erac, evitou a perda total de energia, quando o problema ocorreu na noite de terça-feira.

A exceção ficou por conta de Itaberaí, que permaneceu por 46 minutos sem luz, pois a Celg teve que deslocar um operador até a subestação Paranaíba.

Principais blecautes do País e as origens

18/abr/84


“Grave blecaute atinge seis Estados”

O que ocorreu: 12 milhões de pessoas nas principais cidades de seis Estados do Centro-Sul do País ficaram sem energia elétrica
Causas apontadas: queima de um transformador de grande porte da usina de Jaguara (MG)

17/set/85

“Novo blecaute atinge 8 Estados e DF’’

O que ocorreu: São Paulo foi o Estado mais afetado pela pane, que durou três horas e deixou 8 Estados e o Distrito Federal sem luz
Causas apontadas: queda acidental de linha Itaipu-São Roque (SP). Na época, suspeitou-se que a usina de Itaipu transmitia experimentalmente a energia gerada por três turbinas – hipótese negada pela empresa, que afirmou que as máquinas operavam normalmente

30/jun/92

“9 milhões ficam sem luz em três Estados’’

O que ocorreu: o fornecimento de energia elétrica para GO, MT, TO e DF foi interrompido por mais de uma hora, afetando cerca de nove milhões de pessoas
Causas apontadas: um curto-circuito na subestação de Itumbiara (GO), do sistema Furnas. Após o curto-circuito, o sistema ficou sobrecarregado e passou a desligar em “efeito dominó”

6/mar/98

“Bairros ficam 30 horas sem luz e água’’

O que ocorreu: blecaute atingiu SP por quase dois dias e afetou hospitais e a central de operações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que teve suas operações prejudicadas pela falta de energia
Causas apontadas: a Eletropaulo alegou que o problema foi causado pelas chuvas, que provocaram o alagamento da rede subterrânea e a queima de um transformador

11/mar/99

“Blecaute deixa 10 Estados e DF sem luz e afeta 76 milhões’’

O que ocorreu: às 22h16 do dia 11, houve um corte de energia que durou quatro horas. SP, RJ, RS, PR, SC, ES, MG, GO, MT e DF foram afetados. Ao menos 76 milhões de pessoas ficaram sem energia
Causas apontadas: à época, o ministro das Minas e Energia descartou a possibilidade de uma sobrecarga no sistema. Dias depois, um relatório do presidente do ONS afirmou que um raio na subestação seccional de Bauru (SP) foi a causa

Em 2007, um estudo de pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontou que o blecaute de março de 1999 não foi provocado pela queda de um raio na região de Bauru, desmentindo a versão divulgada pelas autoridades do setor elétrico na época

21/jan/02

“Cabo se rompe e apagão corta luz de 10 Estados’’

O que ocorreu: dez Estados e o Distrito Federal ficaram sem luz. Em São Paulo, a falta de energia durou quatro horas e 26 minutos
Causas apontadas: queda de um cabo na linha de transmissão entre Ilha Solteira e Araraquara (ambas em SP)

10/out/2002

“Curto-circuito provoca apagão no Nordeste’’

O que ocorreu: falha em uma linha de transmissão de energia elétrica da Chesf (Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco) causou blecaute de até uma hora em cerca de 30% da região
Causas apontadas: curto-circuito sem causas conhecidas

Fonte: Folhapress
O Popular

APAGÃO

Governo culpa clima pelo apagão
Problema, na noite de terça-feira, deixou 18 estados e cerca de 70 milhões de pessoas sem energia elétrica por cerca de 4 horas

Brasília - O governo federal acredita que a concentração de raios, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, no interior de São Paulo, causou o apagão que deixou às escuras por quatro horas mais da metade do País, na noite de terça-feira. Ao todo 18 Estados e 70 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica. O mau tempo teria provocado um curto-circuito que levou à queda nas linhas de transmissão de energia da Hidrelétrica de Itaipu, em um efeito dominó, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O anúncio foi feito após mais de 20 horas de informações contraditórias do governo, que chegaram a irritar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e fizeram a oposição convocar Lobão, além da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - tratada como virtual candidata petista à presidência -, para prestar esclarecimentos no Congresso.

Lobão negou que o problema tenha sido provocado por falta de investimentos e defendeu mais uma vez a solidez da estrutura do sistema elétrico brasileiro. “Nenhum governo fez tantos investimentos neste setor quanto o atual”, disse Lobão, citando o aumento de 30% nas linhas de transmissão do País entre 2003 e 2009 e os R$ 22 bilhões investidos. “Se há governo madrugador nesses investimentos é o atual. E o sistema é de muita boa qualidade”, acrescentou.

Após reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), grupo que tem a função de acompanhar a segurança do abastecimento de energia elétrica no País, Lobão tentou por diversas vezes mostrar que situações extremas de meteorologia, como as que teriam sido registradas ontem na região de Itaberá, podem afetar qualquer sistema. “O Brasil é o País de maior concentração desses fenômenos meteorológicos, e essa área concentra ainda mais.”

O diretor-geral da Usina Hidrelétrica de Itaipu, Jorge Samek, disse que foi a “Lei de Murphy”. Dos 1 mil quilômetros de rede, em apenas seis quilômetros as cinco linhas de transmissão andam juntas. “E foi bem nesse trecho que caiu o raio”, afirmou. Ele acredita que a solução para evitar que o apagão se repita é depender menos de Itaipu. Especialistas ouvidos pelo Grupo Estado também apontaram a “fragilidade” do sistema interligado (leia reportagem na página 5). Em Goiás, 16 m unicípios ficaram sem energia. (AE)

ONS diz que proteção funcionou

O diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, apesar da extensão do apagão, os sistemas de proteção impediram que o defeito se propagasse pelo sistema, o que poderia causar danos maiores. “O grande prejuízo que se teve foi a interrupção na energia para o consumidor, mas do ponto de vista de prejuízo material não existe nada, porque houve proteção devida e correta dos circuitos”, disse.

O ONS, órgão que administra a rede nacional de energia, disse que “uma perturbação de grande porte” teria provocado a interrupção parcial do suprimento de energia nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste equivalente a 28.800 megawatts médios (MW) ou mais de 40% da demanda de energia do País, que é de 55 mil MW médios. O blecaute de 1999 durou quatro horas e resultou em queda de cerca de 70% da energia. Em 2002, foi de 60%. (AE)

MPF vai investigar causas

Brasília - O Ministério Público Federal abriu ontem uma investigação para apurar as causas e os responsáveis pelo apagão de terça-feira. Integrantes do Grupo de Trabalho Energia e Combustíveis da Procuradoria Geral da República encaminharam ofícios ao Ministério de Minas e Energia, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e à Diretoria Jurídica da Usina Itaipu Binacional pedindo explicações. De acordo com nota divulgada pela Procuradoria, esses órgãos terão de enviar em 72 horas toda a documentação produzida e recebida sobre o apagão. (AE)

APAGÃO
Especialista diz que problema expõe fragilidade do sistema

De acordo com dados fornecidos pelo ons, 95,16% da energia do País é gerada pelas hidrelétricas

Rio - A extensão do apagão expôs a fragilidade de um sistema de abastecimento quase integralmente dependente da geração hidrelétrica. Pelos dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), esta semana 95,16% da energia consumida foi gerada por hidrelétricas - Itaipu respondeu pela parcela de 78,18% desse total. A opção brasileira para o fornecimento elétrico divide especialistas.

“Eram 22 horas e Itaipu estava gerando tudo o que podia. Botar toda Itaipu gerando pode ser correto do ponto de vista energético, já que não tem reservatório e não é bom desperdiçar água, mas é arriscado”, diz o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Coppe e ex-presidente da Eletrobrás. Ele defende o uso de “redes inteligentes”, que evitem o efeito dominó que ocorreu ma terça-feira, com um número maior de pontos controlados. É o que o mercado chama de ilhamento. “Isso foi estudado, discutido, mas não implementado.”

O apagão foi provocado por uma sobrecarga no sistema, pelo aumento de demanda residencial, na opinião do especialista em infraestrutura Adriano Pires, que é mais contundente nas críticas à condução da política energética. “Está havendo barbeiragem de operação. Às 22 horas, não há porque manter as 20 turbinas de Itaipu ligadas. É populismo manter modicidade tarifária, excluindo as usinas térmicas, que deviam estar também na base do sistema”, diz ele, creditando ao aumento no uso de aparelhos, como ar-condicionado, a sobrecarga. “O governo estimulou muito o consumo da linha branca. A linha de transmissão tem um limite de capacidade e não aguentou.”

Luiz Fernando Vianna, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), discorda, porém, dos defensores da ideia de que as termelétricas deveriam estar ligadas para garantir a segurança do fornecimento de energia. “Isso tem um custo alto nem todas as termelétricas são capazes de operar sem ser na utilização da capacidade máxima; além disso, está sobrando água, o que também representa um risco.”

A divisão dos especialistas é bastante evidente. Se por um lado há quem acredite que em 2009 o nível de umidade do ar pode provocar constantes tempestades de maior força, que devem acarretar em novos incidentes semelhantes, há quem garanta que o sistema estava completamente preparado para intempéries climáticas do porte verificado. “O sistema está sendo constantemente testado para esse tipo de risco. É como se um paciente passasse sem problemas por completos exames e na saída do consultório médico tivesse um enfarte ao atravessar a rua. Houve erro nos exames ou algo que não poderia ser previsto?”, indagou o especialista Mário Veiga, da PSR Consultoria. (AE)

Transtorno afetou 100 mil em Goiás

Adriano Marquez Leite

Cerca de 100 mil pessoas de 16 municípios goianos foram afetadas pelo corte no fornecimento de energia elétrica, que ocorreu na terça-feira entre São Paulo e Paraná e atingiu 18 Estados brasileiros. Diferente do resto do País, que ficou às escuras por até seis horas, a média no restabelecimento da eletricidade em Goiás foi de três minutos.

As cidades afetadas total ou parcialmente foram: Anápolis, Corumbá, Cocalzinho, Pirenópolis, Alexânia, Inhumas, Itaberaí, Goiás, Itapuranga, Itaguari, Itaguaru, Santa Helena, Piranhas, Arenópolis, Bom Jardim e Itumbiara.

Por causa da suspensão do abastecimento de energia produzida no Sudeste, diminuiu o volume de eletricidade enviada para Goiás. Assim, para evitar um colapso generalizado, entrou em ação um sistema automático chamado Esquema Regional de Alívio de Carga (Erac), que diminui a demanda por energia, com os cortes em diferentes pontos do Estado.

Imediatamente, o Operador Nacional do Sistema (ONS) verificou a falta de energia elétrica em Goiás e já passou a realizar o fornecimento de eletricidade a partir de hidrelétricas como Corumbá e Serra da Mesa. No caso do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, a normalização do serviço demorou mais porque as linhas de transmissão foram afetadas, ou seja, não havia como mandar eletricidade para esses Estados.

Segundo o gerente do Departamento de Operação do Sistema da Companhia Energética de Goiás (Celg), João de Oliveira, o fornecimento de energia no Brasil é eficiente, tanto que foi restabelecido em poucas horas. João citou casos semelhantes que ocorreram em outros países e que demoraram vários dias para serem solucionados.

Americanos voltam a fazer críticas

Washington - A imprensa e os blogueiros dos Estados Unidos aproveitaram o apagão de terça-feira para voltar a pôr em dúvida a capacidade do Rio de sediar a Olimpíada em 2016. “Um olho roxo” para o País que vai sediar a Olimpíada - essa foi a descrição da agência de notícias Associated Press, que distribui suas reportagens para milhares de jornais.

Os americanos alfinetaram o País pela segunda vez por causa das Olimpíadas, já que Chicago perdeu para o Rio a disputa pela sede. A primeira crítica foi quando traficantes derrubaram a tiros helicóptero da polícia. Agora, com o apagão, o foco das críticas é a infraestrutura precária do Brasil e a falta de preparo para sediar os jogos. (AE)

Apagão do Lula!

O Popular

Os nossos vários apagões

Pedro Bittar

Comentários, artigos, estudos virão para dissecar o apagão de terça-feira à noite. Vai ser interessante acompanhar o debate. Mesmo que se justifique ter sido o apagão provocado por problemas climáticos, teremos as teses que defendem a insegurança na área energética, uma das mais importantes e estratégicas do País. Mas depois, com dias ou semanas, o tema vai ser amenizado, denúncia de novo escândalo político ou mais uma injustiça logo vai tomar o noticiário e o apagão e seus motivos serão apagados. Vai parecer que nem existiu essa cara e traumática interrupção de energia. Claro, sem antes termos uma solução, mas, no máximo, mais um remendo.

Nossa infraestrutura é de remendo. Asfalto de remendos. Energia de improvisos. Aviação e logísticas limitadas à baixa eficiência e alto risco. A verdade é que vários apagões ocorrem diariamente no Brasil, mas não são percebidos. Temos os apagões dos portos e da qualificação da mão-de-obra – que são muito menos impactantes na sociedade.

O grande diferencial do gestor público no Brasil é que ele se contenta com pouco. Temos potencial para alçar voos muito maiores e expandir nossa economia explorando realmente nossa potencialidade. Mas, não temos visão de longo prazo.

Durante a crise mundial, como política anticíclica, o Brasil colocou dinheiro na economia para a economia não estagnar. Colocou dinheiro, entre outras formas, aumentando as despesas com salários e contratado novos funcionários públicos. A China, no mesmo momento, ampliou os investimentos em infraestrutura, com obras em transporte, principalmente, ferrovia. Quem usou melhor o dinheiro público?

Em pouco tempo, vamos descobrir. Enquanto os produtos brasileiros vão ficar mais caros, no mercado interno e externo, porque o governo vai ampliar o déficit fiscal e terá de elevar os juros e arrecadar mais impostos, os chineses vão ficar ainda mais baratos, pois o seu governo preocupa-se mais com competitividade e o futuro do mercado internacional do que com ações políticas e sem efeito prático para o crescimento sustentável do País. Muito pelo contrário. O País paga um preço caro por ter políticos que só enxergam o mundo político, seus partidos e suas eleições, sem dar um verdadeiro valor às necessidades das famílias e empresas.

E assim será. Enquanto tivermos políticos com esse pensamento atrasado, viveremos de apagões em apagões.

Pedro Bittar é empresário e presidente da Acieg e do MGC