sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Diário da Manhã

O mau exemplo do governo para a sociedade

Pessoas sérias e esclarecidas como os leitores de um jornal do quilate do Diário da Manhã devem ter se espantado com os artigos publicados em nome de um fotógrafo ligado ao setor de comunicação do governo do Estado, com agressões e impropérios de baixíssimo nível contra o senador Marconi Perillo.

A utilização desse “articulista” sem sobrenome teria o objetivo de rebater as teses apresentadas pelo jornalista Afonso Lopes, um dos mais tradicionais e respeitados da imprensa goiana, a respeito dos rumos do governo Alcides Rodrigues e da dramática opção que esse governo fez ao se afastar das suas origens e compromissos iniciais.

Em resumo, Afonso Lopes disse que o governo Alcides não foi bem sucedido do ponto de vista administrativo e que agora o desdobramento natural desse insucesso será o desastre político. Lembrou ainda o jornalista que Alcides deixou-se seduzir por uma proposta de “reorganização” do Estado baseada em uma visão de fluxo de caixa, mais apropriada a uma empresa particular e absolutamente sem sentido, quando se trata de poder público.

A reação foi chocante. Em vez de discutir os argumentos de Afonso Lopes, a resposta veio em forma de ataques ao autor do artigo e calúnias contra o senador Marconi Perillo. É uma obsessão da cúpula do atual governo do Estado ver Marconi atrás de tudo o que se fala ou que se diz de ruim do governador, do secretário Braga e do governo. E infelizmente, o que se diz de ruim, nesses três casos, não é pouco.

A maioria do PP, partido do governador Alcides, não tem essa mesma opinião. Em sua maioria, o partido mostra bom senso e tem uma relação positiva com Marconi, PSDB e demais partidos que o apoiam. Ninguém no PP compreende as razões pelas quais, uma vez eleito governador com a ajuda de todos os partidos da base aliada, sem a omissão de um único militante, Alcides virou as costas para essa realidade e passou a se comportar como uma figura estranha e distante dos seus compromissos originais – hoje, adulando os adversários de ontem.

Em relação à tese do jornalista Afonso Lopes, há algumas considerações que não foram feitas. Para se eleger, Alcides colocou de público a sua intenção de dar continuidade às realizações do governo Marconi. Em alguns casos, ampliando até, como na área dos programas sociais. Uma vez empossado, fez o contrário. A Renda Cidadã, que chegou a ser exemplo nacional de assistência às famílias carentes, transformou-se em uma pálida recordação do que foi um dia. Praticamente foi extinta.

Perto de completar quatro anos de gestão, o governo estadual, além de não cumprir as promessas de campanha, também não tem um portfólio de obras ou programas para apresentar à sociedade. O verdadeiro governador não trabalha na Praça Cívica, e sim na Avenida Negrão de Lima. Lá, a sua ante-sala vive lotada de deputados, empresários, secretários entre outras autoridades, enquanto as recepcionistas do gabinete da Governadoria quase não têm o que fazer, por falta de demanda.

O deputado federal Carlos Alberto Leréia costuma dizer que Alcides “terceirizou” o governo para Braga. Mas o problema não é só esse. A questão principal é que o Estado passou a ser visto como um fim em si e não como o agente indutor do desenvolvimento econômico e social. Os ganhos conquistados para a imagem de Goiás no cenário nacional foram diluídos, com repercussão negativa na atração de investimentos para o nosso território.

O clima de trabalho e dinamismo herdado do governo Marconi hoje é uma mera recordação do passado. Com praticamente irrisórios 12 meses de mandato pela frente, em um ano que será absorvido pelo debate eleitoral, já não será possível ao atual governo fazer mais nada. Mesmo assim, já no começo do fim, como escreveu com propriedade Afonso Lopes, a cúpula que decide de verdade dentro da máquina administrativa estadual ainda fala em arrancada, em cumprir todos os compromissos, em transformar o Estado em um canteiro de obras e sonha alto com a hipótese de eleger um sucessor.

A desarticulação é tamanha que, para a defesa do governo, na falta de quem o faça, chega-se ao cúmulo de escalar um desconhecido, que se auto-intitula fotógrafo. Essa é a realidade que hoje nos é imposta. O governo de Goiás desceu alguns degraus e quer arrastar a sociedade pelo mesmo descaminho.

O governo nos proporciona um mau exemplo. Mas, nós não voltaremos ao tempo das botinas e do cigarro de palha. Goiás se modernizou, ampliou a autoestima do seu povo e se fez credor do reconhecimento do Brasil pelos seus avanços e pela sua pujança. Aos que traem, aos que só agridem e nada apresentam, está reservada a lata de lixo da História.

P.S.: Estão aí, leitores, os meus argumentos. Observem que virá, nos próximos dias, uma resposta do governo, mas sem discutir nenhum deles. Serão só agressões, algumas a mim, a maioria ao senador Marconi Perillo, tal como fizeram com Afonso Lopes. Essa é a nova regra que a comunicação oficial está impondo a Goiás. Mas faltam apenas 12 meses para que isso tudo termine. Ainda bem!

Gilvane Felipe é ex-presidente do Sebrae

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