sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Outra Goiânia!!

Diário da Manhã

A Goiânia de Iris e a Goiânia que vai mal

Um explosivo surto de dengue, aumento do número de crianças nas ruas, ação policial contra os catadores de lixo, asfalto esburacado, Cais lotados em todos os setores e um escândalo de milhões e milhões de reais, envolvendo a doação a um amigo de Delúbio Soares do sistema de parquímetros para o controle do estacionamento nas ruas de Goiânia. Esse é o quadro caótico que impera em Goiânia hoje e que foi alvo de matéria na revista Veja, como se sabe a mais importante e a mais prestigiosa do Brasil.

Para o prefeito Iris Rezende, a julgar pelas suas declarações, vai tudo bem em Goiânia. Ele, inclusive, se mostra irritado quando é abordado por jornalistas que querem perguntas sobre problemas que continuam se arrastando sem solução na nossa Capital desde o início da sua gestão. Poucos dias atrás, Iris negou peremptoriamente que tivéssemos meninos de rua e mereceu uma repreensão de uma autoridade da Igreja Católica, frei Marcos Sassatelli, que inclusive é vigário episcopal de uma das divisões da Arquidiocese de Goiânia.

“Temos crianças de rua, sim”, advertiu frei Sassatelli, recomendando ao prefeito uma volta pelos bairros de Goiânia, para onde elas se transferiram depois que a Prefeitura desenvolveu uma ação policialesca no centro da cidade, espantando esses meninos e meninas para a periferia. Outro que desmentiu Iris e confirmou a informação de frei Sassatelli foi o promotor Everaldo Sebastião de Souza, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação – órgão do Ministério Público do Estado de Goiás.

Segundo o promotor, o Ministério Público acaba de fazer um mapeamento no qual contou 78 crianças em situação de rua, em um levantamento que não chegou a todos os pontos da cidade. As palavras a seguir são textuais do promotor Everaldo: “Abordadas de forma errada, coercitiva, essas crianças de rua saíram das ruas centrais e passaram a ficar em locais periféricos, terminais, feiras livres. Embora visualmente tenha-se a impressão que são poucos, o número é significativo. O Ministério Público estima que hoje o total seja de 150 crianças, que são aquelas que não têm mais nenhuma referência em casa e nem abrigo”.

A Prefeitura de Goiânia é hoje um sistema voltado para a promoção da candidatura de Iris a governador e por isso se descuidou da nossa cidade. Se Iris e sua equipe não gostam de críticas, eles então devem ter cessado de ler os jornais. Do alto da sua inquestionável altura moral, o jornalista Washington Novaes também fez alertas graves ao prefeito, há poucos dias. Leiam: “Chega-se ao fim do ano também com a questão do lixo sem encaminhamento adequado em Goiânia, que, com seu aterro sanitário próximo do esgotamento (caminhando para a ampliação), tomou a infeliz decisão de proibir o trânsito de carrocinhas de catadores de lixo pelas ruas, sob o argumento de que prejudicam o trânsito (eles, e não os automóveis!). Inverteu-se a questão, pois os catadores, organizados em cooperativas dotadas de recursos, deveriam ser a base de um sistema de coleta e reciclagem que pode reduzir em até 80% o encaminhamento de resíduos para aterros – com enorme economia para a sociedade”.

Isso quem afirma é Washington Novaes. Estou relembrando porque já notei que a assessoria de comunicação de Iris não aceita discordâncias e ataca sem dó nem piedade quem ousa discordar da tese de que criticar o prefeito é torcer contra Goiânia. Washington Novais (que então deve estar torcendo contra Goiânia) diz mais: “Goiânia vive também o drama do transporte. Um terço da frota superior a 900 mil veículos (quase um por habitante) tem mais de 15 anos, mau estado de conservação, polui muito. E gera graves problemas para a cidade – sem que solução efetiva esteja a caminho, já que obras com elevados, viadutos, passagens subterrâneas, etc. apenas deslocam ou adiam o problema, como tantos urbanistas têm demonstrado. Em Goiânia, verifica-se também que persiste a ausência de macropolíticas para a expansão urbana – que acaba sendo formatada apenas pelas micropolíticas que atendem a interesses localizados de pequenos setores da população ou de ramos empresariais”.

Com a Prefeitura voltada para o endeusamento de Iris, o fato é que vamos muito mal. Neste pequeno artigo, alinhei a opinião de cidadãos sérios e que têm legitimidade para falar dos problemas que estão se acumulando na nossa Capital sem solução à vista, tudo porque, para Iris, o asfalto é a poção mágica que resolve todos os males de uma cidade.

André Goulart Marcondes é profissional liberal e estudante

 

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